domingo, 18 de outubro de 2009

All the pretty faces



"P'ó caralho!", ouve-se ressoar em todo o prédio, um grito que teria sido sussurro não quisesse ele ter uma saída em grande. Tudo tinha sido já desconversado, o sentido que nunca existira materializou-se de vez, humores trocados, carinhos esgotados, sorrisos falsos cansado de o serem.
A porta fecha-se com um estrondo. De repente, o silêncio. "P'ó caralho!", ela ainda ouve estas palavras, ter-lhe-iam ficado grudadas algures entre o ouvido e o córtex temporal, repetiam-se incessantemente. Queria chorar, gritar, desesperar, desistir... mas não conseguia. "P'ó caralho" já devia ter ele ido há muito, p'ó caralho que lhe ature as merdas, que lhe faça as vontades, que lhe lamba as botas e o ego. "P'ó caralho" vai e muito bem.
A chuva que caía ganhou o brilho que há muito ela já não via, a vontade de ir banhar-se nas gotas prateadas era apenas abafada pela chama do cigarro que lentamente consumia. "P'ó caralho", nem mais, um sorriso crescia-lhe dentro do peito, os pés finalmente seguros em terra firme, janelas e portas abertas deixavam entrar a chuva, sentia-se inundada de uma luz libertadora, sentia-se leve, todas as forças do mundo nela convergiam, nada a podia impedir de um "reset", de um final feliz à sua medida, finalmente a libertação e a vitória.



Um sobressalto, abre os olhos estremunhada, sente a seu lado o calor insuportável de um corpo que já há muito a repugna.


Levanta-se, veste-se, puxa um cigarro e fecha a porta silenciosamente. Um murmúrio escapa-se por entre os lábios sorridentes. "P'ó caralho!".


All the pretty faces - The Killers

domingo, 4 de outubro de 2009

Hard 2B the bastard


Where am i located in the hot.vs.crazy line? Way above... the what?

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Moonlight serenade


Soube realmente o que é estar sozinha rodeada de tanta gente. Às voltas no escuro, tentando não tropeçar, ouvindo uma música longínqua que inquieta a alma e arrepia o corpo, vendo a luz, vendo a saída, querendo, necessitando, DESESPERADAMENTE, de escapar.

O local, tão familiar quanto desconhecido, zero, não pertenço aqui, hoje não, agora não, por favor deixai-me ir... deixai-me sair rumo à neblina escura, deixai-me ser envolvida por ela, sentir o ar frio e húmido entrar no meu corpo, sentir todos os pêlos erguerem-se tentando proteger-se da temperatura que parece baixa... mas não, não está frio, o ar que me rodeia e no qual me sumo - me quero sumir, desesperadamente! - é a brisa suave da libertação, sabe a asas.

Ninguém, ninguém repara, ninguém olha, ninguém liga, ninguém sente o grito rouco e cansado de uma voz, quero sair, tanta gente e... nada... sozinha, estou sozinha, ninguém me acode, tenho de ser eu, por mim. Quero dormir, estou cansada, mas não, não me posso render, tenho de sair daqui.


Finalmente, uma luz. Um toque e estás quase livre. Atravessas, com um sorriso envergonhado e aliviado, os corredores luminosos.

Para a próxima já sei. Tenho de sair pela porta da urgência.
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domingo, 13 de setembro de 2009

Praying for a riot


Onde andas, coração malvado? Não voes... não fujas... Deixa-te flutuar... o acaso levar-te-á aonde te esperam.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

I'm going slightly mad

Os blackouts dão cabo de mim. Is it real, is it not?
Agradecia um glimpse de qualquer coisa.
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Gold for the price of silver




Quarta-feira.

Seis da tarde.

Entro num mundo calmo, suave, que me transporta ao pôr-do-sol de uma qualquer praia, de um qualquer sítio, onde me senti (sinto) bem. Perfume exótico no ar que entra e permanece em mim, quase uma brisa quente, envolvente, poderosa, suave.

O meu corpo deitado, nu, vulnerável, tenso, a mente ocupada com mil e uma e duas coisas e coisinhas a fazer...

Mãos quentes invadem-me, percorrem a minha pele, atingem a carne que se revolta antes de se deixar ir num arrepio quente, a mente liberta-se e não pensa, ou apenas no aqui e agora, nas carícias e cócegas que o corpo, antes tenso, recebe.

Mãos, apenas mãos me tocam, escorregam em mim, levam-me a flutuar num mar relaxante e quase orgásmico no qual apetece ficar. Definitivamente, indefinidamente.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Give it to me



Há mulheres que não se medem aos palmos.
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